Para as pessoas que possuem restrição
em locomover-se, há necessidade de atividades para não permanecer no ócio
total. Escrever é uma delas, desde que possamos ir até uma biblioteca, fazer pesquisas,
e disto fazer algo contrutivo. Nem sempre isto é possível,
quando optamos por divagações sobre fatos passados. Algumas vezes tomamos de
algumas idéias primordiais, e nos deixamos mergulhar no mundo da fantasia. É um
exercício saboroso, o que relembra meus tempos de adolescência, aficionado em
contos policiais e livros de bolso sobre ficção científica. Desde este tempo era
um grande “devorador” das obras de Isaac Asimov, as quais releio frequentemente.
Seu ápice seguramente foi “Fundação e Império”, uma trilogia (Fundação,
Império, Fundação II) que se prolonga por mais de 1000 páginas.
Velho sobrado.
Mas, há determinado momento que nos
entediamos de ler e escrever. Há necessidade de um trabalho manual, que faça
com que a atenção fique firmemente voltada a um ponto central, associada com habilidade manual .
E para atingir este ponto, optamos pela
construção de maquetes. A escolha foi com férreomodelismo, que permite uma
maior liberdade de criação, desde que não voltada a construir em escala
reduzida a realidade.
Inicialmente começamos com a escala
H0 (h zero) que é na graduação de 1:87[1].
Apesar da relativa facilidade em encontrar peças semi-prontas, restando apenas
a montagem e o acabamento final, mostra-se ela com dificuldades pelo grande espaço
ocupado para algo modestamente satisfatório.
Igreja central.
Abandonamos a escala H0 e optamos por
escala N (1:160). Assim, haveria possibilidade de se montar maquete apreciável sem
haver necessidade de termos espaço específico. Mas, eis que surge outra
dificuldade: a pouca disponibilidade no mercado nacional de material.
Uma das formas de se contornar o
problema foi de buscar na Internet modelos de papel (papercrafts). Foram feitos
downloads destes, e impressos depois de fazer a modificação necessária para a escala N.
Os modelos foram impressos em papel
120, e depois envernizados para dar uma maior consistência e durabilidade ao
mesmo. Em alguns modelos foram colocados lâmpadas (LED) em seu interior,
fazendo com que tivessem outra apresentação.
As fotos anexas são exemplos das
atividades executadas, o que consome tempo, mas dá um grande prazer.
Edifício central.
[1]
Por exemplo, 1 centímetro equivale na realidade a 87 cm.
Non nobis, non nobis, Domine, Sed nomini tuo da gloriam.
Salmos 115.1
Para o sol
que nos queima o corpo,
Para a chuva
que lava nossos pecados,
Para que
possamos lutar com honra e valentia,
Nós O
louvamos, Senhor.
Para a fome que
nos atormenta,
Para a sede
que nos castiga,
Para a
canseira que não nos abandona,
Deixando todo
o corpo marcado com dores,
E estarmos
totalmente oprimidos pelo medo,
Obrigado,
Senhor.
Para o vento
que nos cega,
Para a areia
que nos fustiga,
Para o sangue
derramado nas armas,
Nós O enaltecemos.
Para as
noites sem dormir,
Mergulhados
no medo e na oração,
Pelo dia que
se seguirá,
Grato,
Senhor.
Para o grito
de nossos inimigos,
Para a lança
que nos fere,
E a seta
impiedosa que ceifa a vida,
Nas alegrias
e tristezas de nossa batalha,
Nós O elogiamos.
Para a
defesa da fé,
Para nos poupar
da morte que aguarda,
Para a doce
esperança de poder contemplá-Lo,
Com o peito
ferido e a alma pura,
Nós O
glorificamos.
E purificado
no Seu amor,
De ter
lutado em Seu nome,
E defendido Sua
palavra,
Obrigado
Senhor.
Pelo amor
que temos ao Senhor,
Pela confiança
que devotamos às armas,
Para lutar
em Seu nome,
O louvamos
Senhor,
Para a
glória eterna,
Do hoje e
sempre,
Amem.
Esta oração reflete em parte os valores morais,
éticos e religiosos existentes nos anos 1090 e as décadas seguintes. Foi a
essência filosófica das Cruzadas, que tinha o intuito de liberar Jerusalém dos
mouros. Ressurge este Te Deum novamente segundo a lenda quando Henry V foi vitorioso
na batalha de Agincourt (1415), e posteriormente em 1510 para celebrar o
nascimento da filha de Luís XII e Ana da Bretanha. Em cada ocasião, o texto foi
lapidado, tomando um formato diferente. Depois disto foram inúmeras suas
apresentações.
O texto aqui apresentado diz respeito à adaptação
feita no filme Henry V, por Kenneth Branagh, onde Patrick Doyle compôs a canção.
Deixando para o segundo plano as motivações e divergências associadas às Cruzadas,
consideramos ser importante vislumbrar o limite da fé na época medieval, que chegava a sobrepujar inclusive o receio da própria
morte.
Que silêncio sepucral... O vento não
mais acaricia nem ao rosto nem ao corpo... O calor abrasador envolve todos e a
tudo, obnubilando a mente... Parem este trem que quero descer... respirar... correr e gritar aos sete ventos... Quero sentir
a chuva bater nos cabelos e escorrer pelo corpo... Não quero mais sentir o
gosto salgado e amargo do suor a escorrer pela face... Não quero os olhos a
arderem com ele... Quero sentir os
pulmões se encherem de ar... Quero sentir o odor da floresta e o perfume das
flores... Quero estar em comunhão com tudo aquilo que está ao meu alcance e me
envolve... E também a tudo que desenvecilha de meus dedos ou é apenas fruto da
imaginação ou de um pensamento fugidio... Quero escorregar pelas teias de
aranha, e ver o luar refletindo em seus fios tremulantes... sentir junto a mim o frio orvalho preso em
suas tênues tramas, como um bálsamo que alivia todas as dores e sofrimentos do
corpo e alma... Quero ouvir o canto das estrelas. Quero ver o sol a brilhar, raiando
no horizonte, pintando o céu de lilás, como eterno mensageiro da vida... Quero
me perder no universo... quero...
.
Quero ver a alma a explodir em
miríades de estrelas, faíscas esvoaçantes a brilhar, cintilando na fria e negra
noite do inverno da desesperança... rasgando o sereno e deixando uma delicada trilha
leitosa de vapores que de esvaem com a brisa... e mais à frente reunirem-se novamente, numa
eterna transmutação... Tal qual a fênix, é o renascimento a própria e contínua roda
da vida...
.
Quero o fantástico pirlipinpim para
poder voar à Terra do Nunca... É claro, depois que costurarem minha sombra
fugidia em seu devido lugar... Imaginou viver sem sombra? E conceber o que é existir
para depois morrer tão totalmente, que não sobre sequer o nome como algum mero rastro
de nossa existência? Seria a morte absoluta?
.
Quero retirar do ventre do jacaré o
relógio que nunca para e infernizar o Capitão Gancho com seu eterno tic-tac...
E vê-lo quase morrer de medo de perder a segunda mão... Como são lindos e
construtivos nossos medos... Fazem com que a gente amadureça e cresça no dia a
dia... ou então nos submergem no total ostracismo da covardia...
.
Quero...quero? Não...
.
Não quero acordar deste mundo de
sonhos, perfumado bálsamo que ameniza as dores e o desespero do existir,
transformando-a em doce toque de Midas. Não me deixe acordar... Não... não... Deixe-me
mergulhado neste doce mundo de fantasias, de sonhos, onde tudo acaba no bem.
Nele não existe maldade, mendacidade, traição ou qualquer outro fato
desagradável que subsista. E o bem sempre supera o mal, sem danos a quem quer
que seja...inclusive até ao próprio
mal, numa eterna e vã tentativa de subverte-lo a mudar de lado...
.
Deixem-me ser a eterna criança com a
mente voltada para a magia da meninice da infância... de Branca de Neve, das
bruxas e princesas... dos castelos que tentam arranharas nuvens... Deixem-me ver Rapunzel jogar sua
trança da torre... e ver a dançarina com suas sapatilhas vermelhas a bailar
eternamente, ou mesmo a tartaruga levar o coelho atravessando o mar em suas
costas para a terra mágica. Deixem-me ver a menina com frio terrível
aquecendo-se na breve chama esvoaçante de um palito de fósforo. Deixem-me
vivenciar as histórias de Tom Mix, Shazan e Capitão Marvel... Tarzan, Zorro e o
Fantasma... ou o próprio Arsène Lupin... Deixem-mergulhar nos contos do X9, do
Ellery Queen’s magazine. Deixem-me voar no hiperespaço, e conhecer outras estrelas
e seus planetas, outras formas de vida. Deixem-me vivenciar toda a ilusões
imagináveis. Deixem-me ainda continuar a ser o eterno infante e permanecer
vivendo no mundo da fantasia.
.
Enfim, deixem-me a sós. Destino, afasta-me
de Caronte e permite-me ficar mergulhado nos braços de Morfeu acolhendo-me no
Monte Olimpo, e ficar a comtemplar eternamente Gaia.
Há um dia em que subitamente despertamos com certa lucidez, como se fosse depois de uma longa e contínua embriaguez que se prolongou por anos e anos a fio, como se fosse de um longo e ininterrupto pesadelo quase sem fim, ou longa caminhada onde éramos impelidos a andar continuamente, sem o mínimo descanso. Talvez quiçá fossem estas, formas do homem estar temporalmente atrelado à ignorância, ao envolvimento pelos longos braços em um contínuo amplexo do próprio fio do destino... Acordamos estranhamente sóbrios, e espantados olhamos à nossa volta, observando novas realidades, fatos que antes atravessávamos em total nulidade, e agora conseguimos tomar consciência, boquiabertos, vivenciar verdades que antes ignorávamos, fossem por mero prazer, por um egoísmo asceta ou processo de fuga à realidade, por simples comodismo deixando as verdades inalienáveis desprezadas e ignoradas em alguma aresta perdida e imersa em penumbra, para não dizer, o próprio negrume do prolongado ocaso da era pisciana. A este mecanismo de fuga poderíamos associar uma vida envolta em trabalhos, na fútil e contínua sensação de imortalidade do âmago pessoal (“todos morrem, menos eu”), que o amanhã nunca nos negará a possibilidade de aflorar uma brecha milagrosa... Também poderíamos utilizar como justificativa o eterno buscar do impossível, senão o total desprendimento para obras atinentes a si mesma. Mas, sem dúvidas, o objetivo inalienável, quiçá fútil por um lado ou mesmo beirando as raias do inacessível por outro, constituem-se em mecanismos de mera desculpa para eclipsar a realidade total, oculta que se torna, e inatingível frente à mesquinhez humana. Podem eles também serem manifestações de objetivos inconscientes ou maquinações para eventuais fins escusos. Eis que um dia, como num descorticar dos bulbos aliáceos, arredada todas suas camadas, ao atingirmos ao seu núcleo, vemos relampejar a total consciência desta nova realidade interior, que subitamente se torna pulsante e vívida, que deverá ser erguida e cultuada, e nos conscientizamos que por toda uma vida, bem ou mal erigida, realmente sua negação nada mais foi que uma vil desculpa para justificarmos uma existência onde, se fatos vitoriosos foram realizados, estes eventuais sucessos foram atingidos não por um real “modus moventi”, mas sim fundamentado em mera desculpa ou falsidade existencial. Realmente, tudo não passou de doces sonhos de verão ou, melhor dizendo, castelos de areia edificados sob a borrasca... É chegado então o momento que, dentro das realizações pessoais executadas, de se avaliar o que realmente possui endosso de uma objetividade consciente maior, com o afã de se edificar sedimentado em um leito sólido e curso construtivo, racional e lógico para o todo; e de outro lado, e o que foi levantado sobre as oportunidades ofertadas que pudessem ter caráter demeritório. É neste ponto que realmente tomamos ciência de até onde caminhamos dentro dos objetivos, entre outros, dos enraizados pela fé, verdade, pela fraternidade, justiça e legalidade, sempre com o intuito de erigir algo que tenda a ser imperecível, que seja benfazejo para o homem (para não dizer todos os seres viventes), ou qualquer outro valor evolutivo superior. Se de um lado esta necessidade de se ofertar aos menos favorecidos constituiria uma necessidade inalienável, de outro lado, a importância deste fato não vir a ser caracterizado como sendo manifestação de tendências ideológicas é conceito fundamental para poder manter integridade e objetividade das metas. Se algumas vezes alguns ousaram chegar a agatanhar este ponto pensando em utilizá-los como trampolim para algo que ambicionavam, seguramente virão a ser vilmente desmascarados, pois na mendacidade que ocultavam seus reais e escusos propósitos, nunca poderiam vir a eclipsar o altruísmo abnegado que é necessário fluir do interior para se atingir estes objetivos. Em rápido vislumbre sobre a existência humana, passaram e irão passar os mais diversos tipos de burlas, das mais requintadas até as mais grosseiras ações visando ao usufruto pessoal ou grupal. Serão sempre expostas. Não posso deixar de esquecer a célebre frase dizendo que “pode-se enganar alguns por todo o tempo, enganar muitos por algum tempo, mas não se pode enganar todos por todo o tempo.” (Lincoln, em 1864) Sobre eventuais desvios passageiros, temos de tentar observar se estes atos não seriam meras aprendizagens existenciais (desde que não contínuos e prolongados) que todo o ser racional pode ser submetido, desde que sejam eles reconhecidos e corrigidos, e que foge das considerações anteriores. Quando o ser humano atingir o ponto entre miríade de normas, onde possa se doar, dividir os frutos acumulados de toda sua sapiência de forma altruísta e global, e em contrapartida haja quem esteja disposto a absorver estes fatos, sem haver nenhum fim escuso que sorrateiramente se manifeste; que fale a mesma língua, que tenha os mesmos objetivos e metas, quando souber praticar a tolerância, quando abnegar a toda e qualquer violência, quando beirar a este ponto às raias da utopia, então saberemos que realmente chegou a era de Aquárius.
Notas conceituais: A Era de Aquarius, que se iniciará por volta de século XXII e seguindo-se à presente Era de Pisces, é um período de tempo na astrologia. Essa era ocorrerá quando o Sol, no dia do equinócio da primavera, nascer a frente da Constelação de Aquário, sendo que atualmente o Sol nasce na Constelação de Peixes. A cada 2160 anos o Sol, no dia do equinócio da primavera, nasce a frente de uma constelação diferente. Alguns consideram que este tempo é variavel de uma para outra constelacão, visto possuírem diferentes tamanhos. Alguns responsabilizam a influência de Aquárius (orbe de influência) ao desenvolvimento acelerado ocorrido no século XX (tanto na área individual, social, científica e tecnológica). Existe por alguns, certa intuição que Aquárius será uma era de fraternidade universal baseada na razão. A visão cristã ortodoxa vê a nova era como a do domínio do anticristo, onde a Terra estaria fora de uma influência cristã (Era de Pisces), e por isso seria uma era de enganos onde o mal seria encarnado e dominaria por certo tempo. A visão cristã esotérica acredita que Aquárius proporcionará à maioria dos seres humanos a descoberta, a verdadeira vivência e o real conhecimento dos ensinamentos Cristãos mais profundos e interiores. Outros consideram estas épocas despidas de qualquer valor, visto estarem embasadas em ensinamentos astrológicos, sem valor científico nenhum. Mas não poderíamos deixar de citá-los, visto seu aspécto histórico.
Outras vertentes: Segundo a teoria original de Vladimir Ivanovich Vernadsky (1863-1945), os estádios evolucionais seriam a geosfera (referência à matéria inanimada), a biosfera (surgimento da vida biológica) e por fim a noosfera (onde a cognição humana cria novos recursos que impelem a humanidade para novos rumos). Segundo ele, a noosfera surgiria no ponto em que a humanidade, através do domínio dos processos nucleares, começasse a gerar recursos através da transmutação dos elementos. Já Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) cita os estágios evolutivos do universo (cosmogênese, biogênese, antropogênese, noogênese e cristogênese) e por final o ponto ômega, na qual a história (e o próprio homem, arrastado por estes ciclos) acaba por desembocar na eternidade. A conceituação do ponto ômega seria o tempo quando ocorreria uma total e completa evolução humana, com todos os aspectos sociais, culturais e científicos plenamente desenvolvidos, e ainda conjugados a um estado de raciocínio, consciência e inteligência coletiva plenas, onde não haveria o mal, e todas elas em plena comunhão com o próprio Criador. Para outros, seria ele meramente um fator utópico. Se realmente existe este ponto, como coadunar a sua presença com o futuro do homem? Sofrerá ele uma transfiguração ou transmutação para poder tornar-se transcendental? Como coadunar as conseqüências do ponto ômega com a ciência e o universo? E com Deus? Todas estas respostas situam-se no limite do imponderável, mas filosoficamente e teologicamente não devem ser considerados como fatos secundários, porque o pensamento puro não deixa de ser uma alavanca para o futuro. Como encerramento destas divagações filosóficas, teríamos até a ousadia de aventar se realmente a Era de Aquárius não seria o próprio início da noosfera, o trampolim para o ponto ômega?
Nota do Autor: Estas divagações filosóficas e teosóficas são abordadas com o objetivo de exercício à reflexão da evolução da humanidade. Também tem como meta incentivar a lembrança do nome de grandes pensadores, filósofos e teólogos. Seguramente, a rememoração de alguns termos aqui utilizados bem como destes cientistas, poderão servir para meditação, bem como estimularem a revisão pessoal do assunto, e o recordar de muitos outros mestres desta linha de pensamento.
Glossário: Imponderável : que ou aquilo que não pode ser calculado, nem previsto, mas cujo efeito pode ser determinante. Transfiguração: ato ou efeito de transfigurar(-se); transformação, metamorfose, alteração da figura, das feições, da forma. Transmutação: ato ou efeito de transmutar(-se); transmudação, transmudamento, formação de uma nova espécie através do acúmulo progressivo de mutações na espécie original. Transcendental: (no sentido de transcendente) que está acima das idéias e conhecimentos ordinários, na metafísica, esp. a neoplatônica e a escolástica, diz-se do ser ou princípio divino que, em sua perfeição e poder absolutos, está situado além da realidade sensível.
Este texto foi organizado em lembrança e rememoração a uma pessoa, que neste ano de 2011 completa-se cinco anos de sua ausência.
Não cabe a nós discutirmos os designos do Todo Poderoso, mas ela nos abandonou muito cedo e de forma totalmente inesperada.
Com suas formas perfeitas, delicadeza de biscuit, sempre necessitando proteção para manter sua integridade, foi lançada ao mundo com dois rebentos. Como leoa, brigou sozinha com todos e tudo para ver sua descendência sobreviver. Como profissional fazia de seu suor e traições que era vítima, a vivência contrastante e uníssona entre o pânico e o sossego, o sucesso e a decepção para manter as metas de cada dia. Vivia às raias da alienação, percorrendo esta torpe trilha de fio da navalha.
Mas, não mais que de repente, fraqueja. Como dentro de um simples baforar, esta pequena e delicada nuvem de fumaça mediu forças com uma brisa um pouco mais forte, tomou as mais diversas formas e por fim acabou por esvanecer-se. Das formas graciosas, delicadas, dos movimentos sutis, tudo foi sendo dilacerado e nada mais restou que uma lembrança perdida no infinito de nossa memória...
Seu nome é preferível sepultado a ser reavivado. Sepulto, estará resguardada na sua privaciade, e sempre poderá despertar alguma curiosidade. Reavivado, seria mais um entre a miríade existente...
De seu caderno, restaram frases, algumas de sua autoria, outras não sei de quem. Seja de quem for, fazem um esboço de seu sentir e existir em sua breve passagem...
Apenas gostaríamos de relembrar o doce toque e ternura de sua presença...
Um dia... Chega um ainda em que não se diz mais: Meu Deus!!! É o dia em que se deixa cair a cabeça, tanto é o cansaço! É o dia em que nossa estrada é mais deserta, e o deserto de nossa solidão, maior! É o dia em que o infinito se nos assemelha mais longe, mais perdido em horizontes desfeitos! É o dia de total indiferença e insensibilidade, tal o efeito da dor! É o dia em que nosso sangue tem o sabor ocre da derrota!
Deixo meus olhos pousarem sobre a enorme fadiga de meus pés, desfeitos de palmilharem o nada. Deixo abater-me ante o peso da indiferença. Hoje, somente hoje, quero ser fraca. Amanhã, talvez, levante o rosto e continue o absurdo dessa ida sem retorno. Mas agora, não. Nunca. Jamais...
XXXXX Queria ter o sol nas mãos, para tecer com seus raios uma rede de luz, onde descansaria meus pensamentos tristes. E nessa rede ilusória, deixaria que meus olhos cansassem de ver estrelas cintilantes de longínquas felicidades.
XXXXX
Deus, concede-me a serenidade Para aceitar as coisas que não posso mudar A coragem de mudar as coisas que posso E a sabedoria para saber a diferença
XXXXX
Quando vires uma estrela, siga-a Nem que ela leve-a a um pântano Pois se assim não o fizer Sempre pensarás que ela era A sua estrela.
XXXXX
É belo impor a lei Mas recebe-la é um ultraje Não gosto de obedecer senão a mim O desprezo é a arma do sábio O esquecimento de uma ofensa Revela o grande coração O vencedor que perdoa É duas vezes vencedor (Petronius)
XXXXX
Triste este mar de solidão Mundo tenebroso de isolamento Onde não há comunicação Onde se perde toda a beleza Da conjunção...
A mendacidade impera, e irradiamos felicidade Dentro dela somos belo amantes e amados
Somos vivoss, vívidos e lúcidos
Somos seres únicos.
Tudo é perene, por mais autêntico que seja,
Tudo é longo e antes de tudo, tão breve...
Tudo é tão agressivo, mas essencialmente delicado,
Mas beleza e recordação, para sempre permanecem vívidas...
Que os anjos a embalem em seu sono e sonhos, e Deus lhe dê o merecido repouso.
Diz o ditado: a árvore que se dobra, o vento não quebra”. Mas eu digo que não há homem que não se dobre, de uma forma ou outra. Infeliz daquele que pretende fazer o oposto...
Entregue aos seus problemas, obrigações dos mais diversos tipos, se submete aos mais diversos trabalhos, que realmente chegam a ser verdadeiras aventuras. Nestes momentos, em que se encontra unicamente consigo mesmo, mergulhado de um lado dentro da responsabilidade do ato e de outro da arriscada aventura ao cumprir as metas propostas, não pode deixar de estender as mãos para cima e, inconscientemente implorar pelo perdão dos pecados e pelo sucesso da missão.
Disto então surge a confiança e a fé que, desde que obedeça sempre aos preceitos básicos, sempre estará amparado pelos braços de Deus...